O psicólogo e a equipe multidisciplinar no cuidado à criança com espectro do autismo.
O autismo é considerado um transtorno do desenvolvimento, definido por critérios clínicos, tendo como principais características o comprometimento das áreas de interação social, da comunicação e do comportamento. O autismo é um transtorno neuropsiquiátrico, que tem uma etiologia multifatorial (interação de fatores genéticos, neuroquímicos e ambientais). O conceito do espectro do autismo abrange comprometimento da interação social, da comunicação verbal e não-verbal, comportamentos repetitivos e interesses restritos (Minatel, M.M., 2013; Rosa, F.D., 2015).
Segundo Brasil (2015): “O processo diagnóstico deve ser conduzido por uma equipe multidisciplinar que possa estar com a pessoa ou a criança em situações distintas: atendimentos individuais, atendimentos à família, atividades livres e espaços grupais”. A pluralidade de hipóteses etiológicas, ainda sem consensos conclusivos, exige um trabalho multidisciplinar e integral para a pessoa com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). A identificação de risco para TEA pode e deve ser feita precocemente, porém o diagnóstico definitivo de transtorno do espectro do autismo só pode ser firmado após os três anos de idade a partir de uma avaliação criteriosa (Brasil, 2015).
Ao trabalhar com a criança autista, a equipe multiprofissional deve propor um trabalho na linha da inclusão social. Verificar se a criança está frequentando a escola, se interage com outras crianças e como os pais estimulam esta criança para interação social.
Vale ressaltar que os serviços do SUS (Sistema Único de Saúde) têm tido uma experiência exitosa no que se refere ao cuidado a crianças e adolescentes autistas. Os CAPSij (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) são dispositivos de cuidado que devem contar com uma diversidade de abordagens para a complexidade e a diversidade das necessidades das pessoas em seus contextos de vida (Brasil, 2015). Nos CAPSij realizam-se atendimentos individuais com diversos profissionais dependendo da necessidade de cada criança (fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional e psiquiatra) e em grupos. Também é realizado trabalho de orientação e acompanhamento com pais e familiares. Há também o trabalho de algumas ONGs que se propõem a atender as crianças com TEA. Porém, ainda há poucos locais que dão assistência a essas crianças.
Há alguns trabalhos que apontam as abordagens sensoriais e corporais na estimulação da criança com TEA, além de abordagens lúdicas e musicais que permitam a socialização e interação. É de grande importância propostas que incluam a descontinuidade dos automatismos através de diferentes experimentações.
O trabalho do Psicólogo e da equipe multiprofissional valorizam algumas ações terapêuticas como manter o mesmo setting, manter o contato visual, utilizar linguagem simples, concreta e objetiva, valorizar habilidades e interesses, bem como a linguagem não verbal.
A experiência terapêutica, seja individual ou em grupo, possibilita dar sentido àquilo que é vivido pela criança, seja no brincar criativo ou na experiência sensorial, possibilitando a comunicação (verbal e/ou não verbal) e o desenvolvimento da capacidade de simbolização.
Referências:
– Brasil. Linha de cuidado para atenção às pessoas com transtorno do espectro do autismo e suas famílias na rede de atenção psicossocial do Sistema Único de Saúde.
– Minatel. M.M. Cotidiano, demandas e apoio social de família de crianças e adolescentes com autismo – Dissertação Mestrado. São Carlos: UFSCAR, 2013.
– Rosa. F.D. Autistas em idade adulta e seus familiares: recursos disponíveis e demandas da vida cotidiana – Tese Doutorado. São Carlos: UFSCAR, 2015.
Marília Sper de Albuquerque Olivares – Psicóloga
"Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana."
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