quinta-feira, 19 de junho de 2014

O que é pânico e agorafobia?

Explicar o que é um ataque de pânico só faz sentido para quem não tenha passado por um… É daquelas coisas que só se conhece, vivendo-a. Então, para si, que nunca teve um ataque de pânico, aqui vai uma tentativa de explicação: imagine que se sente ansioso; mais ainda; mais ainda; à beira do descontrolo; completamente descontrolado – o coração a 1000 à hora, um aperto no peito, parece que o ar não chega, não vai conseguir respirá-lo; o mundo à sua volta adquire um tom de irrealidade e distância, complicado pela sensação de tontura; o estômago embrulha-se; as mãos suadas; as pernas ou a boca dormentes; a garganta apertada; um vazio de raciocínio; a necessidade absoluta de fugir, de fugir de dentro de si, desse corpo que, sem mais nem porquê, decidiu maltratá-lo, ameaça morrer-lhe; o chão foge-lhe; a loucura espreita-o. E, depois do que parece uma eternidade, você volta gradualmente à normalidade, assustado, ainda, mas cansado, tãããooo cansado!
Horrível, não é? No entanto, há pessoas que passam por várias destas crises por semana. Adianta de pouco dizer-lhes que não é nada, que se acalmem, que são só coisas da cabeça delas. Infelizmente, estes são, frequentemente, os comentários bem-intencionados que pessoas com pânico ouvem. E o resultado é sentirem-se incompreendidas e isoladas, reservando para si o sofrimento do seu dia-a-dia.
Ter um ou mais ataques de pânico não chega para se definir uma perturbação do pânicos, na ausência de uma intervenção precoce, quem sofra de 2 ou 3 destes episódios, acaba por vir a sofrer de perturbação do pânico.
O motivo é simples: a experiência é tão aterradora que, rapidamente, a pessoa começa a preocupar-se, de uma forma persistente, com a possibilidade de ter uma nova crise ou de lhe acontecer algo de terrível na sequência de um ataque de pânico (como morrer, enlouquecer ou perder os sentidos). Quando isto acontece, já estão reunidos os critérios para se definir a situação como sendo uma perturbação do pânico.
Ao pânico, facilmente se associa uma outra perturbação: a agorafobia. O pânico, pelas suas características – crises súbitas, inexplicáveis, surgidas do nada – exige uma explicação racional! Depois de uma crise, qualquer pessoa, conscientemente ou não, começa a procurar razões para se ter sentido tão mal; e, como quem procura sempre encontra… As razões aparentemente mais evidentes prendem-se com a saúde física: é um problema no coração, é o descontrolo da loucura, é uma quebra de açúcar no sangue que o vai fazer desmaiar de repente… E se voltar a acontecer, como é que pode ser socorrido rapidamente ou procurar ajuda? Bem, se estiver numa auto-estrada, de onde não existem escapatórias durante alguns quilômetros, ou numa ponte, será difícil ser salvo a tempo, pensa. O mesmo se passa em locais com muita gente que, ainda por cima, criam uma situação de “inundação sensorial”, capaz de fazer reagir o organismo menos sensível. Ou locais fechados, como um cinema, teatro ou sala de espetáculos, em que seja difícil chegar à porta e sair se, a qualquer momento, o corpo voltar a dar sinais de que o vai atraiçoar. Assim, os locais de onde resulte difícil ou embaraçoso sair, em caso de necessidade, começam a ser evitados, bem como os locais onde já se produziram ataques de pânico, porque ficam associados, de uma forma traumática, aos maus momentos que lá se passaram.

Quando se instala a perturbação do pânico com agorafobia o impacto na qualidade de vida é brutal: enquanto que, em fases iniciais e mais suaves, as pessoas “apenas” se sentem desconfortáveis nas suas rotinas diárias, hipervigilantes ao meio que as rodeia e aos seus sinais corporais, em situações mais avançadas, o seu raio de ação vai encolhendo, a sua vida social também e aumentam os condicionalismos àquilo que se sentem capazes de fazer – coisas tão simples, para a maioria de nós, como uma saída de amigos, ou ficar em casa sozinho – a um ponto incapacitante de uma vida normalmente sem restrições. No extremo desta perturbação, encontramos pessoas que raramente conseguem sair de casa, local que muitos consideram seguro, ou que são incapazes de fazer seja o que for sem a companhia de uma pessoa que considerem de confiança.
Quer o pânico, quer a agorafobia são perturbações progressivas: sem tratamento eficaz, vão piorando. 2,7% de pessoas, em qualquer ano, sofrem desta perturbação o que, só em Portugal, resulta em cerca de 280 mil pessoas afectadas (aproximadamente o dobro de mulheres). É uma perturbação que se instala em idades jovens (finais da adolescência, início da idade adulta), ainda que existam casos com o seu início em qualquer idade.

Esta perturbação tem, por vezes, companhias indesejáveis, sendo as mais frequentes a depressão, a perturbação obsessivo-compulsiva e a perturbação da ansiedade generalizada.


Ataque Pânico

Um período de tempo de medo ou desconforto intensos durante o qual quatro (ou mais) dos seguintes sintomas se desenvolveram abruptamente e atingiram um pico num espaço de 10 minutos:

· Palpitações cardíacas, batimentos cardíacos fortes ou coração acelerado

· Suores

· Tremores

· Dificuldade em respirar

· Sensação de sufoco

· Dor no peito ou desconforto nessa zona

· Náuseas ou perturbações gastro-intestinais

· Tonturas, sensação de estar zonzo ou instável, sensação de desmaio

· Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sensação de estar separado de si próprio)

· Medo de perder o controlo ou enlouquecer

· Medo de morrer

· Parestesias (sensação de formigueiro ou dormência)

· Arrepios ou calor súbito ou suores frios


Perturbação de Pânico

Para o diagnóstico, exige-se a presença de ataques de pânico, recorrentes e inesperados, bem como o facto de pelo menos um desses ataques de pânico ter sido seguido de um mês (ou mais) de uma ou mais das seguintes características:

· Preocupação persistente com a possibilidade de ter novo ataque

· Preocupação relativamente às implicações ou consequências do(s) ataque(s) de pânico (exemplo: perda de controlo, ter um ataque cardíaco, enlouquecer)

· Uma modificação significativa no comportamento relacionado com os ataques de pânico

Além disso, os ataques de pânico não se podem dever aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou a uma situação médica. Também se exclui um diagnóstico de perturbação do pânico quando a sintomatologia é melhor enquadrada noutra perturbação da ansiedade.


Agorafobia

A agorafobia define-se como ansiedade em estar em locais ou situações das quais resulte difícil ou embaraçoso escapar ou em que possa não haver ajuda disponível no caso de se ter um ataque de pânico inesperado ou associado a essa situação. Os medos agorafóbicos envolvem, tipicamente, um conjunto de circunstâncias que incluem estar fora de casa sózinho, estar em sítios com muita gente ou numa fila, passar em pontes, viajar de autocarro, comboio ou carro.
As situações que geram medo são evitadas ou vivenciadas com perturbação elevada ou com ansiedade face à possibilidade de se ter um ataque de pânico (ou sintomas de pânico) ou, ainda, a pessoa necessita de um acompanhante para as conseguir enfrentar.
Exclui-se um diagnóstico de agorafobia quando a sintomatologia é melhor enquadrada noutra perturbação da ansiedade.



Sintomas de Pânico

· Aceleração cardíaca

· Dor ou aperto no peito

· Sensação de sufoco, dificuldade em respirar

· Suores, tremores

· Dormência, formigueiros

· Tonturas

· Náuseas, alterações gastro-intestinais


Locais Evitados

· Pontes, viadutos, vias rápidas, auto-estradas

· Locais com muita gente

· Locais de espetáculo, sobretudo se a porta estiver inacessível

· Meios de transporte

· Salas de aula, reuniões

· Situações em que se está sozinho

· Situações em que se está longe de casa

Pertubação da Ansiedade Generalizada


O que é?

Preocupações, preocupações, preocupações… Com o trabalho – será que vou conseguir dar conta deste projeto, será que tenho capacidades para o desempenho desta função, será que vou ser bem avaliado? Com as crianças – será que escolhi bem a escola, será que estou a ser bom educador, e se não lhes estou a dar uma alimentação correta, e se crescem com problemas por eu ter pouco tempo? Com a relação a dois – e se ele(a) se desinteressou, e se eu falho outra vez, será que vou ser capaz de levar isto por diante? Com os pais – e se adoecem, será que estão bem, e se não aprovam a minha decisão? Com os outros – mas porque é que ele(a) não me liga há uma semana, será que disse alguma coisa errada, e porque é que eu estive tão calada(o) naquele jantar, será que me vão achar estúpido(a) por ter esta opinião? Com a vida rotineira do dia-a-dia – e se eu chego atrasado(a), tenho medo de não conseguir cumprir o prazo, o dinheiro pode não chegar, será que consigo vender a casa a tempo da mudança, e se as taxas sobem e não consigo cumprir a prestação, e se esta tosse é mais do que uma constipação? Preocupações, preocupações, preocupações. Insistentes, com tudo, recorrentes, excessivas. Você tenta expulsá-las, libertar-se, mas não consegue. E cansam-no(a), moem-lhe o corpo, arrasam-lhe o humor, interferem com o sono.

A Perturbação da Ansiedade Generalizada é assim: um entrelaçar de preocupações excessivas e recorrentes sobre os aspectos quotidianos, acompanhada de sintomatologia física. As queixas com que os nossos clientes surgem em consulta, curiosamente, não se prendem com a preocupação que lhes mina o bem-estar; talvez porque, na nossa cultura, ser um indivíduo preocupado é sinal (errado) de responsabilidade e maturidade. Assim, com a preocupação elevada à categoria de qualidade, não passa pela cabeça de muitas pessoas queixar-se disso. Do que se queixam, de facto, é de cansaço, de agitação nervosa e irritabilidade, de dores musculares, de perturbações do sono, de dificuldades de concentração e de uma indecisão permanente. De um mal-estar geral, para o qual não encontram justificação aparente.
Na base desta perturbação encontra-se, fundamentalmente, uma dificuldade grande em gerir a incerteza própria da vida, o que se alia a alguns erros de raciocínio, no sentido em que se assumem pressupostos – sobre a adequação e o valor da preocupação, o nível de risco e de controlo envolvidos nas situações quotidianas, o reducionismo nas avaliações dos resultados possíveis, que, muitas vezes, não conhecem níveis intermédios – e se tendem a assumir desfechos negativos e catastróficos das situações.
É habitual, igualmente, encontrarem-se dificuldades nalgumas competências importantes para o bem-estar e que se prendem com o saber lidar com a vida do dia-a-dia; exemplos disso, são as dificuldades ao nível do processo de tomada de decisões (aliás, a indecisão e a angústia face à necessidade de tomar decisões são queixas frequentes das pessoas que sofrem da Perturbação da Ansiedade Generalizada) e o evitamento frequente de situações que originam ansiedade. Um sub-produto deste evitamento é a procrastinação: o adiamento sucessivo das tarefas que requerem ser executadas.

O diagnóstico tem, obrigatoriamente, de ser feito por um psicólogo ou psiquiatra, porque é fácil confundir esta perturbação com outros quadros de ansiedade, ainda que seja muito frequente: 2% a 4% da população, afetando 2 a 3 vezes mais mulheres do que homens. A importância do diagnóstico é a adequação da forma de intervenção psicoterapêutica, muito específica para esta disfunção ansiosa.
A perturbação da ansiedade generalizada é progressiva: sem tratamento eficaz, vai piorando, especialmente em situações de stress acrescido. Com alguma frequência, a situação é complicada com a presença simultânea de outras perturbações igualmente do foro psicológico/psiquiátrico; as companhias indesejáveis mais frequentes são: perturbações depressivas, perturbação do pânico, perturbações pela utilização de substâncias, e situações globalmente médicas associadas a stress, como o síndrome do cólon irritável.

Preocupação
É definida como um processo de raciocínio que diz respeito a acontecimentos futuros que albergam incerteza quanto ao seu resultado, são vistos genericamente a uma luz negativa, e é acompanhada por sentimentos de ansiedade. A sintomatologia associada é um resultado deste nível excessivo e incontrolável de preocupação.
Nem toda a preocupação pode ser catalogada como disfuncional. Alguns aspectos que definem uma preocupação funcional:
Relacionada com questões objetivamente importantes (como, por exemplo, a possibilidade de uma doença, a entrega de um trabalho crítico)
Com uma proporção ajustada à natureza da situação
A capacidade para a afastar do espírito quando necessário
Uma interferência apenas mínima no bem-estar geral.

Critérios de diagnóstico

A – Ansiedade ou preocupação (apreensão expectante) excessivas que ocorrem durante mais de metade dos dias, durante pelo menos 6 meses, acerca de um número de acontecimentos ou atividades (tais como o trabalho ou o desempenho escolar).

B – A pessoa tem dificuldade em controlar a preocupação.

C – A ansiedade e preocupação estão associadas com três (ou mais) dos seguintes sintomas (com, pelo menos, alguns sintomas presentes mais de metade dos dias durante 6 meses):

1. Agitação, nervosismo ou tensão interior;

2. Fadiga fácil;

3. Dificuldades de concentração ou mente vazia;

4. Irritabilidade;

5. Tensão muscular;

6. Perturbações no sono (dificuldade em adormecer ou permanecer a dormir, ou sono agitado e insatisfatório).

D – O foco da ansiedade e preocupação não está limitado às características de uma perturbação de Eixo I, por exemplo, a ansiedade e preocupação não estão relacionadas com ter um ataque de pânico (como na Perturbação do Pânico), ficar embaraçado em público (como na Fobia Social), ser contaminado (como na Perturbação Obsessivo-Compulsiva), estar afastado de casa ou dos familiares íntimos (como na perturbação da Ansiedade de Separação), aumentar de peso (como na Anorexia Nervosa), ter queixas físicas múltiplas (como na Perturbação de Somatização) ou de ter uma doença grave (como na Hipocondria), e a ansiedade e preocupação não ocorrem exclusivamente durante a Perturbação Pós-Stress Traumático.


E – A ansiedade, preocupação ou sintomas físicos causam mal-estar clinicamente significativo ou deficiência no funcionamento social, ocupacional ou em qualquer outra área. 

F – A perturbação não é causada pelos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por exemplo, droga de abuso, medicação) ou um estado físico geral (por exemplo, hipertiroidismo) e não ocorre exclusivamente durante uma Perturbação do Humor, uma Perturbação Psicótica ou uma Perturbação Global do Desenvolvimento.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Você se aceita como é?

“Curioso Paradoxo: Só quando me aceito como sou, posso então mudar” Carl Rogers.

Muitas pessoas procuram terapia para mudar alguma coisa em sua vida, seja um relacionamento, uma postura diferente perante a alguma situação, um comportamento indesejável… É comum as pessoas terem pressa pela mudança, buscando solucionar o problema pela forma mais racional possível. O interessante é que no processo da psicoterapia a pessoa vai se dando conta que antes de olhar para fora com ansiedade, é preciso entrar em contato consigo mesma, olhar para suas dificuldades e reconhecer seus desejos, aceitando-os. Só depois desse auto reconhecimento é que possível se libertar de algumas crenças e experienciar as mudanças desejadas, que não serão instantâneas. A aceitação de si mesmo traz a preparação necessária para o processo da mudança.
Porém, muitos de nós estamos acostumados desde cedo a fazer o movimento contrário, a não nos aceitarmos, nos corrigindo o tempo inteiro. Ouvimos na infância o não repetidas vezes, não pode isso, não pode aquilo. O não e o limite são importantes para nos ajustarmos a sociedade e aprendermos a lidar com a frustração, entretanto, se não somos também reconhecidos pelos nossos acertos e pela nossa essência, a crítica em excesso pode interferir na nossa auto estima e a possibilidade de internalizar um sentido forte de inadequação.


 Como isso influencia a minha vida hoje?

Crescer se achando inadequado em demasia nos faz querer parecer um pessoa diferente do que somos, sempre alertas sobre a imagem que estamos passando e excessivamente preocupados com a opinião dos outros. É uma busca inconsciente e incessante para ser valorizado e aceito pelo outro, sendo que, muitas vezes, ainda nem nos aceitamos como somos, não paramos primeiro para nos entender com um cuidado generoso. Isso traz vulnerabilidade e insegurança, dependendo demais do retorno do outro para saber se estamos indo bem ou não. Quando transferimos essa responsabilidade para o meio, colocamos o rumo da nossa vida em algo longe de nós. A impressão das pessoas, sem dúvida, é importante para nossa construção psíquica, mas, quando há o desequilíbrio, a confusão e ansiedade nos tira do caminho coerente com aquilo que nos faz feliz. Começamos a viver uma vida estranha para nós mesmos.

Como faço para me aceitar melhor?

É fundamental fazer o caminho do auto conhecimento, olhar com atenção e coragem tanto para os aspectos desejáveis quanto para os indesejáveis. Aceitar não significa a princípio gostar, mas considerar e respeitar o que se é, reconhecendo que o hoje é resultado de todas as experiências vividas, sejam elas boas ou ruins. É uma oportunidade para se perdoar, para refazer os laços consigo mesmo, e isso consequentemente, leva a uma postura mais próxima e atenta aos próprios anseios, ao invés da busca incessante pela valorização do outro como uma forma de compensar a falta de amor e aceitação por si mesmo.
É preciso  resistir a reação de excluir algo em nós que não nos agrada e integrar todas as nossas diferentes partes. Muitas vezes precisamos de ajuda nessa caminhada e a psicoterapia, sem dúvida, pode ajudar muito nesse processo. É um desafio que vale a pena, pois é altamente libertador. Só a partir disso podemos verdadeiramente redirecionar nossa vida, ajustar as velas e seguir mais confiantes e inteiros, escolhendo navegar na direção de uma vida mais feliz.

                “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos” Carl G. Jung.

O Que é a Psicologia ?

Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais. Melhor dizendo, a Psicologia estuda o que motiva o comportamento humano – o que o sustenta, o que o finaliza e seus processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem, inteligência.

A história da Psicologia, cuja etimologia deriva de Psique (alma) + Logos (razão ou conhecimento), se confunde com a Filosofia até meados do século XIX. Sócrates, Platão e Aristóteles deram o pontapé inicial na instigante investigação da alma humana:
Para Sócrates (469/ 399 a C.) a principal característica do ser humano era a razão – aspecto que permitiria ao homem deixar de ser um animal irracional.
Platão (427/ 347 a C.) – discípulo de Sócrates, conclui que o lugar da razão no corpo humano era a cabeça, representando fisicamente a psique, e a medula tria como função a ligação entre mente e corpo.
Aristóteles (387/322 a C.) – discípulo de Platão – entendia corpo e mente de forma integrada, e percebia a psiqué como o princípio ativo da vida.

Durante a “era cristã” – quando todo conhecimento era produzido e mantido a sete chaves pela Igreja, Santo Agostinho e São Tomas de Aquino partem dos posicionamentos de Platão e Aristóteles respectivamente.

Em 1649, René Descartes – filósofo francês – publica Paixões da Alma, reafirmando a separação entre corpo e mente. Pensamento que dominou o cenário científico até o século XX. Alguns pesquisadores alegam que essa hipótese assumida por Descartes foi um subterfúgio encontrado para continuar suas pesquisas , desenvolvidas a partir da dissecação de cadáveres, com o apoio da Igreja e protegido contra a Inquisição.
O fato é que no final do século XIX, os acadêmicos da época resolvem distanciar a Psicologia da Filosofia e da Fisiologia, dando origem ao que se chamou de Psicologia Moderna. Os comportamentos observáveis passam a fazer parte da investigação científica em laboratórios com o objetivo de se controlar o comportamento humano. Nesse sentido, os teóricos objetivam suas ações na tentativa construir um corpo teórico consistente, buscando o reconhecimento, enfim, da Psicologia como ciência. 

É neste cenário investigativo que surgem três correntes teóricas: o Funcionalismo, o Estruturalismo e o Associacionismo.

O Funcionalismo foi elaborado por William James(1842/1910) que teve a consciência como sua grande preocupação – como funciona e como o homem a utiliza para adaptar-se ao meio.
No Estruturalismo Edward Titchener(1867/1927) também se preocupava com a consciência, mas com seus aspectos estruturais – percebiam a consciência , isto é, seus estados elementares como estruturas do Sistema Nervoso Central.
O Associacionismo foi apresentado por Edward Thorndike(1874/1949). Seu ponto de vista era que o homem aprende por um processo de associação de ideias – da mais simples para a mais complexa.
No início do século XX, surgem mais três correntes principais,que, por sua vez originaram a diversidade de correntes psicológicas, que conhecemos hoje:

Behaviorismo – surgiu nos EUA com John Watson(1878/1958). Foi conhecida pela teoria S-R, ou seja, para cada resposta comportamental existe um estímulo.


Gestaltismo – surgiu na Europa, mais precisamente na Alemanha, com Wertheimer, Köhler e Koffka, entre 1910 e 1912 e nega a fragmentação das ações e processos humanos, postulando a necessidade de se compreender o homem como uma totalidade, resgatando as relações da Psicologia com a Filosofia.


Psicanálise – teoria elaborada por Sigmund Freud(1856/1939) recupera a mportância da afetividade e tem como seu objeto de estudo o inconsciente.
Hoje, século XXI os conhecimentos produzidos pela Psicologia e a complexidade e capacidade de transformação do ser humano, acabaram por ampliar em grande medida sua área de atuação.

Assim, a Psicologia hoje, pode contribuir em várias áreas de conhecimento, possibilitando cada área uma gama infinita de descobertas sobre o homem e seu comportamento, ou sobre o homem e suas relações.

São elas:

- Psicologia Experimental
- Psicologia da Personalidade
- Psicologia Clínica
- Psicologia do Desenvolvimento
- Psicologia Organizacional
- Psicologia da Educação
- Psicologia da Aprendizagem
- Psicologia Esportiva
- Psicologia Forense
- Neuropsicologia